sábado, 12 de outubro de 2013

Nosso Novo Mundo

A você, que se tornou minha vida:




Eu não sabia do que precisava, e tampouco me importava mais com a solidão. Fizera amizade com minha própria dor e não havia mais esperança de que a situação fosse mudar, já que minha companhia se resumia a mim e meus pensamentos bobos, porém destrutivos... nada faria com que eu abrisse os olhos novamente e enxergasse alguma luz. Tinha de viver porque era egoísmo pensar o contrário, mas a vontade era nula.. Eu poderia deixar de existir, cair no esquecimento do tempo, fugir para alguma outra realidade... Utopia...

Eu sabia que seria uma fase e que eu sobreviveria de qualquer forma porque é assim que somos forçados a viver, mas no meu íntimo... por mais que as aparências fossem de estar acostumada com a situação, eu não queria estar ali. Não me pertencia aquele lugar, e já estava no chão há muito tempo pra sentir alguma vontade de levantar. Não tinha nenhum motivo, um objetivo muito menos, para conseguir seguir em frente. Era uma vida de regressos, onde a indiferença reinava e nada havia pra modificar isso.

Não faltavam pessoas ou pensamentos bons, mas eram tão corriqueiros e sem valor que não adiantava ouvir conselhos sem conteúdo e que logo evaporariam. Nada preencheria o vazio que me corroía cada dia mais. Era uma ideia tão fixa, quase inabalável, se a vida não me pregasse peças: ir contra os meus princípios pra ir atrás de algo incerto, infundado até o momento, arriscado e perigoso. Quando me vi, já estava longe e mais perdida do que antes, mas perdida em você.. era como ter medo do mar, mas gostar de nadar nele. Querer enfrentar todas as ondas e tempestades que teria pra me oferecer. E até então, eu não teria nada a ganhar com isso, mas com certeza era melhor do que parecia.. E agora qualquer música era agradável demais para os meus ouvidos. E agora borboletas dançariam sem parar, e agora eu me peguei.. apaixonada. Por alguém que talvez pudesse me entender, talvez pudesse me fazer feliz e deixar que eu o fizesse feliz também. Essa coisa mútua que eu queria desenvolver e tinha certa necessidade de ser desenvolvida.

Minha cabeça dava voltas e voltas questionando o possível e impossível, se eu deveria ir ou ficar, se eu devia observar ir embora ou agarrar com a pouca força que eu tinha. Nessa hora eu descobri que tinha mais força do que imaginei, e, consequentemente, que eu iria levar isso adiante não importando o que viria depois. Eu ganhei um motivo pra voltar a viver (começar a viver) e eu teria alguém pra sonhar junto comigo.. vivenciar tudo isso. Alguém pra eu cuidar do jeito que eu gostaria que cuidassem de mim. Muito cedo pra poder chamar de meu, mas vontade não faltava. E era uma vontade louca, eu não podia e nem queria controlar.

Devia ser sonho. Por que não, né? Eu já estava voando tão alto, que já esperava uma queda maior ainda. E foi difícil acreditar que as coisas realmente tinham começado a mudar, e pra melhor. E eu tinha quem embarcasse nessa longa viagem comigo. E isso tomou tamanha proporção que eu notei que estava indo longe em tão pouco tempo, mas que não sei se ele andaria nos mesmos passos que eu. Ele poderia se interessar, mas e sentir? Eu ainda estava descobrindo sobre ele, e ainda mais sobre mim. Eu era capaz de tudo aquilo por alguém que não conhecia? Por que eu estaria me entregando assim, tão facilmente?



Tão simples, tão rápido, mas tão arrebatador. Devastador, quem sabe. Eu não sabia onde estava me enfiando, mas continuava indo. Se a minha determinação voltou, se eu voltei a ter um objetivo na vida, então eu finalmente acordaria. Eu almejava tanto, eu não poderia deixar nada disso escapar. Mas nos meus devaneios, logo surgiriam dificuldades - e quem se importa? Eu estaria preparada pra passar por todas elas, e com orgulho de vencê-las. Ao menos, eu estava tão cega que eu acreditei nisso por muito tempo, até ver que nada seria fácil. De qualquer maneira, eu nunca desistiria, não agora. E nem depois.

Você era perfeito. E muito provavelmente aqui eu já estava cega, provavelmente uma paixonite, provavelmente ela não ia passar. Você era fascinante, encantador, maravilhoso e eu poderia dizer mil adjetivos exorbitantes, nada chegaria aos seus pés na imagem que eu tinha de você na minha cabeça e coração. Você sem querer me deu a vontade de viver e ser alguém na vida, mesmo que pra mim mesma. Eu acordava querendo te desejar um bom dia, e o meu já se tornaria automaticamente um ótimo dia, porque você respondeu minha mensagem. Eu, por mais ridículo que pareça, quis estudar. Quis trabalhar. Quis ser alguém. Quis ser alguém pra você... não pra te impressionar, mas pra ser merecedora de estar contigo. Dividir a vida contigo.

Droga. Eu poderia arruinar tudo de uma hora pra outra, sem ao menos ter começado. Mas eu tinha que começar, então eu dei um passo maior do que o esperado. Se tinha chances de dar certo, eu arriscaria. Eu perderia o medo, pra ganhar novos. Mas eu precisava de você aquela hora, entende? Eu precisava de verdade, fazer algo diferente, sentir que podia inverter a situação, superar e exceder todos os limites. Não sentia aquela faísca há tanto tempo -- se é que algum dia eu senti -- e nada me faria sentir mais viva do que ter você perto de mim (ou, você fazer parte de mim... )

Eu já me sentia bem só com a esperança e perspectiva de melhora. Eu não tinha certeza do que viria depois, mas não desviei meu foco em momento algum, eu estava cada vez mais decidida e confiante a cada palavra sua que eu lia, ouvia, ou quando lhe via. Como não me apaixonar por você? Eu queria esconder os sorrisos bobos e ao mesmo tempo mostrá-los, pra você entender que era tudo verdade. Mas conforme eu ia me aprofundando, eu fui surpreendida por coisas que eu nunca tinha lidado antes. Encararia como aventura, sempre muito segura de que eu seria uma boa pessoa pra você, mas não era isso que o resto das pessoas te diziam. E agora viria a batalha: você ia dar atenção a garota misteriosa que apareceu ou aos amigos e pessoas mais próximas?

O que passaria na sua cabeça agora? Provavelmente, amedrontado tanto quanto eu, sem saber a resposta pra nenhuma pergunta. Mas será que tinha essa necessidade de me ver, como eu tinha de vê-lo? Será que isso tudo o levaria pra mais longe ainda de mim? Eu já me sentia enlouquecendo, mas decidi maneirar nas conversas. Convencer a mim mesma que ele estava bem melhor sem alguém aleatório pra fazê-lo perder tempo. Mas eu não queria nem devia te deixar ir embora, assim.. e quis explorar o seu passado, seu presente e querendo ser seu futuro. Foi assim que dias inteiros e madrugadas mal-dormidas pareciam não ser mais suficientes. Eu tinha vergonha às vezes - estaria eu a sua "altura"? E toda a podridão do meu passado ou até mesmo meu presente, porque você conviveria com alguém como eu?

Era muito complexo isso. Eu arrepiava só de ler o seu nome, ver uma resposta sua. A sensação mais estranha e mais gostosa que eu poderia sentir. Eu não era ninguém e não viraria ninguém de uma hora pra outra só por causa de alguém. Será? Plantaram-se dúvidas, inúmeras delas, e eu preferia ignorar mesmo sabendo que poderia não colher bons frutos, mas também poderia colher os melhores da minha vida. O tempo seria o senhor de tudo, me daria a oportunidade de fortalecer o que já estava sendo cultivado "sem querer". Mas nada sairia do lugar se eu realmente não fizesse algo inconsequente. Tudo ou nada, e eu optei por tudo. Eu queria tudo naquela hora. Meu erro foi pensar que isso só prejudicaria a mim, quando poderia complicar pra você também... tudo tão novo, mas já tão forte...

Cedo ou tarde, aconteceria, e que bom que foi cedo. Imprudente, pretensiosa, intrometida, falsa... ah, eu não tiraria sua razão de pensar tais coisas. Chateia, mas eu acho que merecia. Fui apressada, e acho que se não fosse o caso, poderíamos não ter sequer nos conhecido. E o que você pensaria de mim? Ficaria tão assustado quanto eu, ou aceitaria? Você ME aceitaria? Eu estava tão atordoada pensando em você todos os dias, que me esquecia que tudo poderia desmoronar. Esqueci que eu não era dona de mim mesma, e agora menos ainda, porque você sem querer acabou me dominando.. e eu não poderia fugir para seus braços ainda. No entanto, eu fui. Eu tinha uma razão, dúvidas, sentimentos e vontades, e só você pra saciá-los. Mas eu estava destinada a isso de alguma forma, e eu fui.

Finalmente, eu fui. Com o apoio da mãe e do destino, eu me entreguei na viagem. Mais corajosa do que poderia ser, achando que nada ia me atingir, além da taquicardia que não sumia. Eu tremia, eu suava, eu ria, eu chorava, estava gelada de nervosismo. Eu vi a estrada passando, mais meus pensamentos eram mais rápidos, embaralhados e tinha tanta névoa quanto aquele ônibus de manhã. Eu estava boba, mas estava na sua frente. "Eu achei você", eu disse, no embalo do seu abraço que poderia ter durado uma eternidade, e eu quis me embebedar do seu perfume aquela hora. Era surreal, praticamente um sonho, mas dessa vez um sonho realizado. O amor de amigo que vinha crescendo já evoluiu de tal forma que eu não podia e não queria mais parar, só porque eu tinha te encontrado e queria estar contigo pra sempre. E você me beijou - foi tão rápido que eu não consegui assimilar direito, mas com certeza nunca iria esquecer e queria muitos deles. Você era uma luz iluminando meu caminho, e eu seguia por ele cegamente.

Eu virava a cabeça, culpando minha timidez - como assim, timidez? 440 km e ainda existia timidez. Eu queria ficar te observando, a ponto de detalhar cada olhar seu e cada parte do seu corpo e como suas expressões eram lindas, mas pra isso eu tinha que encarar você. E eu sentia aquela coisa engraçada de "eu não acredito que sou tonta assim", e já que eu queria conviver com você, alguma hora você teria que se acostumar com minha aparência. But I'm shy, can't u see? Eu te roubei um beijo enquanto estávamos no ônibus que ia pro shopping. Você comentava do meu cabelo, comentava da cidade, e eu estava sonhando ainda. A viagem toda eu estive. Estar com você era como estar no paraíso, não importando onde ou como.

Nada seria capaz de descrever, realmente, o que era passear com meu novo amigo. Eu me esquecera completamente dos problemas, da vida lá fora, da vida que eu tive antes de te conhecer, da vida que eu deixei pra trás. Era você ali... mas ainda não do jeito que eu queria. Eu acabei de confirmar que você era realmente tudo o que eu esperava e desejava, mas.. eu tive que conter toda minha pose de menininha grudenta pra poder te dar um espaço pra ver se era aquilo que você queria também.

Anoiteceu. Eu queria muito mais do que podia, fui muito além do permitido. Eu senti uma sede de você que não tinha como saciar. Aquela noite, we could take the world... Eu não preciso dizer como shrek tinha passado a ser tão interessante, e nem como aquilo foi tudo tão especial. Você se lembra? Das sensações, da apreensão. Eu sei que se lembra, e eu não vou precisar descrever, porque realmente não tem como. Infelizmente, tudo o que é bom traz consigo uma pilha de responsabilidades e preocupações, então, a noite terminou estranha. Mais desconfiança, mais incerteza, mais insatisfação, e talvez até arrependimento.

E depois... Eu tive que assistir você sair com a incerteza se ainda ia querer me ver no dia seguinte e foi aí que a ficha caiu - eu estava longe de casa, apesar de confortável, só me sentia bem quando você estava ao lado - do contrário, tudo seria trevas novamente. Eu me senti insegura. Eu senti medo. Mil demônios me agonizando aquela noite, depois de um dia tão bom. Demorei a dormir, me debulhei em lágrimas e a madrugada passou apertada. Eu estava te trazendo mais problemas do que benefícios, eu estava bagunçando sua vida. Eu pensei estar fazendo o certo, mas o que eu sabia da vida, afinal? Eu podia ter errado, falhado, mas com a melhor das intenções. Mas de boas intenções o inferno está cheio, e eu não queria parecer só mais uma.. e foi tudo o que deu a entender. Fracassei, e isso não era novidade.

Amanheceu, e eu não sabia se devia me arrepender e descartar todos sonhos ou terminar de tentar e ir até o fim (mesmo desejando que não tivesse fim) e talvez esmurrar ponta de faca. Tomei mil banhos até despertar, coloquei música alta, assisti desenho animado. Estava me iludindo que ia dar tudo certo. A hora não passava, a preocupação muito menos; e nada me acalmava. Eu praticamente não tinha dormido e estava mais acabada e frustrada de quando estava 6h dentro do ônibus. Eu queria você de novo, agora mais do que nunca. E essa era uma das consequências possíveis de ter ido: eu me viciar em você. Agora eu precisava da minha dose diária, era irremediável. Você acordou e então já enfrentava os próprios problemas, afinal, você tinha sua própria vida. E isso me deu mais vontade ainda de cuidar de você e ajudar no que eu pudesse. Eu me identificava tanto contigo. E ter coisas fora do meu alcance me deixava angustiada e com a sensação de ser incapaz...

Olha, começou sua série preferida agora na TV. E o que mais será que você gostaria? Batidinhas na porta e você tava lá, e eu não acho que tenha escondido o quão contente eu estava de poder te ver novamente e me envolver nos seus braços. Tudo o que estava me assombrando foi embora novamente, então eu relaxei, sua companhia me fazia mesmo esse bem. Assistimos a série dublada, rimos, sorrimos, paramos pra pensar, e até deixamos a melancolia entrar pra finalmente decidir o que faríamos daqui pra frente. E foi aí que compartilhamos que tínhamos os mesmos medos, mas um não queria perder o outro. Meu coração não parou de bater forte um segundo sequer, imaginando as possibilidades de te chamar de meu algum dia. O tempo ia esgotando e eu queria aproveitar o máximo possível ao seu lado.

Fomos almoçar e começaram surpresas que a vida faz a gente passar... eu conheci sua família, assim, repentinamente, sem preparo físico nem psicológico. Logo gostei de todos, rezando mentalmente para gostarem de mim, mas não alcancei minha meta daquela vez. Tínhamos que ser discretos, e seu receio era mais perceptível do que tudo. Eu já fui você, e não me cansava de falar isso, e foi até divertido ter que fazer parte da brincadeira, e seria cômico se não fosse trágico. Mas assim eu podia te mostrar que  em quaisquer situação, fosse boa ou ruim - eu estaria lá. Mas isso pra ti era tão estranho que sua preocupação e desconfiança só aumentavam. Eu estava falhando novamente, mas o fato de estar passeando contigo me fazia pensar que podia sempre melhorar e pensar em coisas boas.

O cenário agora era uma mureta de pedras e a represa municipal. Eu poderia ficar ali por horas, com você e com a paisagem, não importa quão cansados estávamos. Mas voltou a anoitecer, e isso significava que meu tempo estava esgotando; e eu nem quis pensar em como seria depois. Parecíamos mais enamorados do que amigos, e isso me deixou num hype tão grande de que você poderia realmente virar o meu nam... nah. Eu sou ridícula! Eu tenho o dom de estragar as coisas. Por que você me desejaria? Tudo sobre mim pra você era um mistério, sendo que eu realmente não tinha nada a esconder. Eu era a garota que gostava de TI e jogos e música. Relativamente comum. E você? Você era a personificação de perfeição pra mim.

Escureceu, e logo ficaria perigoso e tudo fecharia. Fomos pra sua casa, conheci seus bichinhos e dessa vez até sua vizinha. Fiquei com vergonha, ansiosa e tinha que me comportar. Como seria o dia seguinte? Como seria minha volta pra casa? Você sumiria?.. Teria eu feito toda essa trajetória só pra um final de semana diferente? Fomos 'jogar' juntos, e tamanha era a cumplicidade que eu me atrevia a virar de lado pra poder beijar você discretamente e te morder. Eu queria tanto morar perto de você. Seria tão mais fácil, não? Eu não podia deixar você esquecer de mim. Eu sei que é estúpido, bem ou mal ninguém se esquece da idiota que viajou pra te conhecer, mas eu queria que você sentisse vontade de me ver de novo também.

Eu segurava sua mão dentro do carro quando fomos pra sua casa, mas na ida a rodoviária você foi no banco da frente. Isso tinha me irritado, de certa forma. Fui egoísta até nisso, acredite. Últimos momentos pra aproveitar com você.. Não queria te soltar... Você estava apreensivo com sua volta pra casa e eu segurando pra emoção não escorrer pelo meu rosto. Chegamos ao destino e meu ônibus tinha acabado de chegar. Você olhava pra cima, pra rua, como se estivessem te observando e punindo com o olhar. Eu estava estranha, como se faltasse algo. Eu te abracei, e você foi o primeiro a largar. Disse tchau, e saiu andando sem olhar pra trás. Eu acompanhei seu trajeto até onde pude ver, e encostei a cabeça no vidro frio do ônibus. Seria uma longa madrugada, mas foi mais relaxante do que imaginei. Fiz uma retrospectiva de tudo e adormeci.

Como se estivesse anestesiada, cheguei em casa e apaguei de novo. E fui vivendo querendo te ver muito mais do que eu queria antes. Você tinha se tornado imprescindível na minha vida, e conforme os dias passavam eu lembrava de como você ria das minhas piadas, de como você me abraçava e disputava pra ver quem tomava um milkshake ou suco mais rápido. Lembrei de você dançando pump, lembrei das coincidências de nome no shopping, e ainda de como era gostoso ouvir nossos nomes sendo dito como o de um casal. Era tão sonoro e tão forte que dava vontade de ouvir mil vezes. E poxa, como eu deveria ter aproveitado mais essa viagem.

Novas conquistas desbloqueadas, eu diria. Fui atrás de quem eu estava amando. Me senti orgulhosa, mas egoísta e idiota também.
Mais alguns dias e surgiu o primeiro "eu te amo". Foi tão natural e foi se repetindo até termos a certeza que queríamos arriscar levar essa história a sério. Nossa, custei a acreditar. Achei que você estava carente e eu poderia suprir essa carência e nada mai, mas era bem mais que isso. É que pra mim era praticamente impossível ser recíproco nesse nível tão intenso. Parece que sua desconfiança tinha passado pra mim naquela hora, e achei que você fosse terminar a qualquer instante quando algo saísse do normal.

E coincidentemente você agora viria pra cidade vizinha e.. poxa, eu o desejo mais do que tudo, mas não posso enfrentar os seus pais, isso não é certo e eles só queriam te proteger. O encontro deu certo mesmo quando você duvidou que eu iria conseguir... e  eu pude sentir sua pele na minha  por um curto período de tempo, e eu tive que te olhar sem encostar em você direito. Tive que me policiar, me comportar, me controlar e manter as aparências de puramente amizade. Eu disse que te amava, eu tive essa chance ao menos. E você foi atravessando a rua, mas dessa vez eu não acompanhei. Saí andando meio sem rumo, chateada, e querendo me socar. Aliás, eu diria que senti levar um tapa da vida. Viu, sua tonta? Nem sempre as coisas funcionam como você quer. Eu andei até a sensação péssima passar, porque eu queria mais, mas tinha que esperar. Pagamos sempre um preço alto por coisas boas, não?

Eu estava de mãos atadas porque as pessoas ao seu redor ainda não acreditavam em mim. Quem acreditaria, não é? Me diziam que eu estava fazendo papel de trouxa, mas sinceramente? Então eu era a tonta mais feliz e sortuda do mundo. Encontrei uma pessoa pra levar pra vida inteira. E mesmo que acabasse ali ou em qualquer momento, você não ia sair de mim tão cedo. Eu sei que você voltaria a ficar distante de mim fisicamente, mas eu estava te carregando no meu coração, e isso era o mais importante. Mas já que eu ousei e até então tinha dado "certo", eu ousei em falar qualquer coisa que viesse a mente, tentando me aproximar mais da sua família. Desgracei o que já era difícil. Quis morrer, quis me enterrar viva, e do meu jeito exagerado, mandar um jatinho escrever 'desculpa' nas nuvens. Eu só levei problema pra você.

A saudade apertava e eu queria te ver. Marquei uma data na minha cabeça, e então, você ficou desesperado dizendo que não daria pra eu ir. Um pedacinho do meu mundo ia caindo então. Eu não tinha mais direito de visitar o meu próprio namorado... o que eu ia fazer? Eu sentia crises de ansiedade, delirava por alguns minutos, passava mal e só pensava coisa ruim. Chorar era apelido, eu podia formar um rio na minha cama, mas nada disso ia trazer você pra perto de mim. Eu então tinha que buscar toda aquela força que eu julguei ter no início, e carregar o peso que for, porque você era a minha coisa mais preciosa e não ia te perder por nenhuma bobagem.

Saúde que tinha melhorado, agora piorava. O nome disso agora era desanimo, e o motivo era óbvio: estou sozinha, o meu namorado está longe, e o mundo não parece que vai facilitar assim tão cedo pra nós dois. Eu tinha que me apoiar nas palavras, sempre, benditas e malditas palavras... Elas podiam me animar, mas podiam me fazer sentir um lixo de pessoa. Fora que eu podia ser mal interpretada. Cada um é livre pra pensar o que quer, quem sou eu pra julgar e impedir... Eu queria demonstrar todo o meu afeto e devoção, será que era pedir demais? Era um abraço, um beijo e um olhar que eu estava precisando. Não tão rápido quanto aquela vez, mas.. bem, sempre será rápido até o dia em que eu puder ficar definitivamente contigo, né? Nunca é suficiente, e o maior presente que a vida pode me dar é ver seu sorriso todos os dias e ser a causa deles. Mas eu também não queria parecer carente assim, eu tinha que parecer forte, mas essa não seria eu. Eu estava muito mais do que carente, eu só queria uma pessoa comigo.

E como é que uma pessoa faz isso comigo, em tão pouco tempo? Você fez. Acho que subi ao céu, desci ao inferno e voltei ao céu de novo, e vou nessa montanha russa sempre buscando equilíbrio e te levando pro melhor caminho comigo. Eu sei que você vai estar lá pra ser o meu guia e eu a sua, e assim caminhamos. Buscando a compreensão e fazendo do jeito mais correto possível, nem que seja o mais demorado. E se cairmos, eu vou estar lá pra te segurar, te dar carinho, e até bronca se for necessário. A gente precisa dessa coisa pra crescer, e eu quero crescer também. É bom doer agora pra não doer nunca mais, não merecemos mais sofrer por nada, ainda mais injustamente.

Mas as nossas vidas estavam dando reviravoltas de todo jeito, e nem de um todo ruim. Eu, enfim decidi minha vida e planejei que estudaria, mudaria minha rotina pra poder acelerar esse processo de nos vermos sempre. E voltei a ficar desacreditada de como isso tava dando certo até algum ponto. Falta muito esforço, mas eu vou conseguir, e você também. Vou te deixar orgulhoso, sabia? Você vai poder dizer que fiz algo por nós e que deu certo. E se chorarmos, choraremos juntos e será de alegria.

Enfim.. Você conseguiu vir pra cá. Com muita luta, eu diria. Eu me sinto culpada, mas também vitoriosa nessa luta. Algum dia você a teria, e será que é ser cretina pensar "que bom que foi por mim"? Eu senti falta de tirar fotos. Eu senti falta de te levar pra passear no Ibirapuera, ou coisas bonitinhas assim. Mas deu tudo certo. Passamos "um dia e meio" juntos. Eu não gosto de lembrar daquela despedida... eu queria tirar toda a dor daquele dia e só lembrar das nossas palhaçadas, beijos e coisas boas. Mas, é tão forte e dói tanto. Continua doendo. E é assim até eu te ver de novo, e assim vai.. e eu não aguento, meu amor, eu preciso tanto de você. Eu não quero ser um peso na sua vida. Não quero que você sofra por mim, não queria que fosse estilhaçante assim. Algo tão bom, mas quando longe, tão ruim. E mesmo assim, eu fico feliz só de lembrar de você... sua fisionomia, seus beijos, seu toque, seu calor, seu cheiro, seu corpo, seu olhar, seu cabelo, sua risada, suas gírias que eu também adotei. Eu amo tudo em você, eu amo você. Eu te amo.

Minha motivação de sair da cama todos os dias? "Se eu fizer algo produtivo hoje, isso será benéfico pra mim no futuro e logo menos terei ele comigo novamente. Vou me esforçar pra tê-lo comigo todos os dias da nossa vida, vou mimá-lo, ajudá-lo, amá-lo e cuidar dele. Vou fazer por merecer, vou fazê-lo feliz do jeito que ele merece ser. Vamos sentar e assistir um filme, vamos tirar fotos...". Eu faço qualquer coisa por nós, acho que você sabe.  Por favor, não duvide de mim, e por favor não desiste se eu errar de novo. Eu juro que vai ser tentando acertar, e que eu te amo demais pra poder aguentar qualquer perda. Não sei viver sem você, meu gatinho. E assim, você se tornou minha vida. Nada pode descrever o quanto isso me faz bem e como eu quero ter você logo, mas eu senti necessidade de escrever, por mais bobo que seja. Não quero "gastar" e forçar nada, só abrir meu coração e alma mesmo, porque eu preciso demonstrar de alguma forma. Pode não ser tão significativo, mas tudo que me deixe um pouco menos distante de você, eu fico mais contente.

Eu não sei o objetivo desse texto. Nem mesmo o fiz pensando em algum, mas sei que chorei muito enquanto digitava e senti muita saudade e apertos no coração lembrando de tudo e tentando expressar os acontecimentos e sentimentos em pequenas simples palavras. Mas não foi ruim, agora eu posso provar pra qualquer um que eu tenho o melhor namorado do mundo e que ele me faz progredir cada dia que passa, e que eu não paro de pensar nele. E ele é você. Eu te amo. Desde o começo, a minha maneira, eu sempre amei. E isso cresce a cada dia mais, eu me apaixono por você todos os dias. Você me conquista todos os dias. E eu quero ficar com você todos os dias da minha vida, no nosso novo mundo que estamos construindo. Eu tenho orgulho de poder estar contigo e ser sobretudo sua amiga. Obrigada, meu amor. Eu sou feliz contigo, e é só você e mais ninguém. Acho que ainda não inventaram palavra tão forte quanto o que sentimos, mas eu acho que algo pode exemplificar um pouco:

Matheus & Marianna

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